Eu trabalhava no C.R. Flamengo e já era decidido a ser um grande técnico de basquete.
Eu tinha conquistado uma grande oportunidade. Afinal de contas, havia sido convidado pelo melhor técnico de basquete de todos os tempos para trabalhar no clube da Gávea.
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| Eu tenho o orgulho de ter sido convidado pelo melhor técnico de basquete de todos os tempos, Kanela, para trabalhar no Flamengo |
Togo Renan Soares, o Kanela, era Vice-Presidente de Esportes Olímpicos e me convidou para dirigir as categorias de base dizendo que acreditava em mim. Eu já cursava Educação Física na UERJ.
Eu não perdia um treino da categoria principal. Na época, chamávamos o adulto de principal. Sempre com o meu bloquinho anotando todos os exercícios que eram ministrados.
Nesse texto, eu vou omitir o nome do técnico desse episódio, apesar de que eu o considero um super técnico e um dos principais técnicos da história do basquete brasileiro. Mas ele pode não gostar dessa historinha...
Eu estava sentado na arquibancada do ginásio da Gávea (que hoje se chama Ginásio Togo Soares), anotando tudo, até porque os treinos do principal tinham uma dinâmica rara no basquete brasileiro, e eu ficava inebriado com a qualidade dos treinos que assistia.
De repente, chegou o Kanela perto de mim.
Eu não tive dúvida.
"Seu Togo (eu o chamava de Seu Togo), que treino espetacular!"
Ele ficou roxo de raiva.
"Esse treino está uma M...!"
Eu quase enfartei. Fechei meu caderninho rapidamente e, gaguejando, bem baixinho, questionei:
"Mas Seu Togo, por que o senhor acha que esse treino não está bom?"
Ele não pensou duas vezes.
"Porque não é sequência do treino de ontem!!!"
Passaram-se mais de 30 anos e eu nunca mais esqueci disso.




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